Accepted paper:

Comer cosmopolita e comer local: proximidade geográfica e distância social nos consumos alimentares

Author:

José Sobral (Universidade de Lisboa)

Paper short abstract:

Esta comunicação debruça-se sobre a construção de dispositivos de distanciação social através da comida, que representam simultaneamente barreiras entre classes sociais próximas no espaço geográfico e pontes com outros socialmente afins, mas geograficamente mais distantes.

Paper long abstract:

Esta comunicação debruça-se sobre a construção de dispositivos de distanciação social, que permitem construir delimitações separando classes que vivem no mesmo espaço geográfico. Esses dispositivos inserem-se no âmbito das práticas de consumo alimentar, entendidas como elemento nuclear dos estilos de vida - ou das maneiras - e, por conseguinte, como um dos meios através dos quais se produzem e reproduzem identificações e barreiras, sejam elas de tipo religioso, étnico-nacional ou de classe. Partindo de fontes arquivísticas e impressas relativas à alta aristocracia lisboeta entre os finais do século XIX e a primeira metade do século XX, é possível discernir como a alta cozinha francesa serve, por um lado, para demarcar essa classe do local - a cidade e o estado-nação em que vivem - para, por outro a situar num espaço social transnacional em que se inserem as classes que lhe estão próximas em termos de capital económico, cultural e social. O processo de construção da proximidade social com os mais distantes em termos geográficos é assim, em simultâneo, o processo que assegura a distanciação social face aos que se encontram próximos em termos geográficos, consumidores de uma cozinha menos dispendiosa, assente em recursos locais.

Nesta comunicação privilegiamos uma abordagem no âmbito da antropologia histórica, em que se recolhem contributos oriundos da antropologia, da história e da sociologia da alimentação e da cozinha, da geografia cultural e da sociologia das classes e dos estilos de vida.

panel P07
Proximidade e distância