Accepted paper:

Baralha e volta a dar - reflexão sobre práticas e discursos de pertença e mobilidade em São Tomé e Príncipe

Author:

Joana Areosa Feio (ICS-UL e CRIA)

Paper short abstract:

Em São Tomé e Príncipe actual, num contexto de profundas alterações estruturais, propomo-nos analisar negociações de processos identitários protagonizadas por pessoas de diferentes estatutos, a partir da observação e análise de encontros e convivências de certo modo inesperados.

Paper long abstract:

São Tomé e Príncipe formou-se enquanto sociedade a partir de uma economia de plantação, baseada no trabalho escravo e de "contratados", que continuaram a chegar às ilhas em diferentes momentos do século XX. Estes viviam acantonados nas sanzalas das roças - muitos ainda aí vivem - por oposição aos ditos "filhos da terra", os forros; e aos angolares. Hoje, quase 40 anos após a independência política, várias mudanças estruturais se têm verificado, como as migrações das populações das roças para a cidade e bairros periféricos, assim como um movimento contrário (embora de pouca dimensão, mas que não deixa de nos interessar) entre forros e angolares com menos recursos que procuram trabalho nas roças; as emigrações e as imigrações; o turismo à escala global; um maior acesso ao ensino; a modificação do mercado de trabalho, surgem-nos como as principais mudanças a ter em conta e que contribuem para redefinições identitárias e estatutárias ao nível pessoal e grupal.

Interessa-nos reflectir, num contexto de mobilidade e mudança, sobre os processos identitários, nas suas variadas dimensões, negociados entre pessoas de diferentes estatutos étnicos (forros, angolares, ex.contractados como cabo-verdianos, angolanos e moçambicanos e seus descendentes) a partir da observação e análise de práticas [e discursos sobre] de convivência prolongada. Estes são encontros de certo modo inesperados e que vêm colocar em contraponto identificações supostamente mais fixadas, abrindo lugar a processos que nos dão pistas para uma análise mais diacrónica. Propomo-nos cruzar na análise um vasto leque de diferenciações, bem como reflectir sobre a natureza dos próprios lugares onde ocorrem os encontros e convivências.

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Proximidade e distância